segunda-feira, outubro 23, 2006

Derivas de um Portugal capitalista

Jennifer Aniston não tem pais ricos, nem ganhou a lotaria, mas comprou uma casa

A antiga actriz de Friends e ex-mulher de Brad Pitt comprou a sua primeira casa, depois de se ter divorciado do actor. Pitt e Aniston puseram o antigo ninho de amor no mercado por 20 milhões de euros (o equivalente a 28 milhões de viagens na linha azul do metro de Lisboa). E a actriz comprou uma casa na vizinhança, em Beverly Hills, na Califórnia, por 12 milhões de euros (valor que, segundo o Orçamento de Estado para 2007, obrigaria à declaração da compra da casa como sinal exterior de fortuna, pois é tangencialmente superior a 250.000 euros). (...) in Público, 23-10-2006

quinta-feira, outubro 19, 2006

Codex 632

Acabei ontem o livro Codex 632 e chegando ao fim conclui que o meu mundo estava já organizado de modo a melhor apreciar o livro. Ora vejamos (tomo a liberdade de assumir que fui o último português do meu círculo de amigos a ler este livro, de veras muito bom).

O último livro que li foi um livro sobre as cruzadas, mais concretamente o relato das cruzadas vistas pelos árabes. Um livro fantástico que nos introduz a todas as personagens relavantes da história sem a típica arrogância inglesa, alemã ou francesa. Um retrato histórico seguindo as informações deixadas pelos cronistas do islão da época.

Antes desse lera o "Último Cabalista de Lisboa". A acção deste livro desenrola-se na Lisboa quinhentista, mais concretamente na semana santa de 1506, quando a comunidade judáica de Lisboa fora chacinada por católicos fanáticos após um discurso exacerbado e uma opinião (menos pertinente no que consta aos sacerdotes) de um cristão-novo. Cheio de emoção mostra-nos a baixa e o Castelo, e Lisboa em geral, pré-1755 sem a organização pombalina. Mais, retrata de uma forma que considero muito acurada os costumes e hábitos da época.

Para juntar ao rol de cultura extra que o destino me pôs nas mãos, e sem querer desvendar o conteúdo do livro e como a sua intriga se desenrola, o Público, na sua edição de 15 de Outubro, presenteou-me, na secção local, com o título

Colombo vai ter estátua na vila alentejana de Cuba (façam a pesquisa na zona de imprensa do Público se já conhecem o livro).

Mais não digo, que isto não é nenhum site de critica literária!

sábado, outubro 14, 2006

França e a legislação histórica

Poucas coisas deixam-me tão incomodado, mesmo irritado, com o género humano como o hábito de legislar sobre tudo e sobre todos. A moda do século XX chama-se constatação histórica de verdades irrefutáveis. Falo obviamente da legislação francesa sobre o genocídio de um milhão e meio de arménios no início do século XX pelo exército Otomano (actual Turquia). Para mim só a ignorância pode levar uma assembleia a votar uma lei proibindo a negação deste acontecimento. Não que não seja verdade mas misturando politica com história (religião, ciência,...) confunde-se as duas coisas: a função da política e o objectivo com que se estuda história.

Vejamos um exemplo. Há uns anos num estado dos Estados Unidos da América um legislador irritado com as imprecisões (ou a falta de sentido prático) da ciência decidiu estipular que o pi, razão entre o perímetro e o diâmetro de um círculo, fosse 3,14, nem mais nem menos. Por sorte esta lei não passou mas com ela percebemos o perigo de legisladores intervirem em campos que desconhecem. Aconteceu novamente na culta França.

Eu compreenderia se tivesse sido a Arménia a ter esta atitude. Em certos países da União Europeia existe legislação xenofóbica relativa a ex-ocupantes. Por exemplo a República Checa proíbe os cidadãos alemães de adquirem propriedades (casas, terrenos, lojas,...) por causa da presença alemã na Boémia durante mais de mil anos e do êxodo alemão após (e durante) a segunda guerra mundial. Mesmo que cidadãos de outros países o possam fazer.

Mas este não é o primeiro caso de imposição da verdade. Toda a doutrina contra os símbolos do regime Nazi, a proibição da negação do Holocausto são realidades existentes nas leis de vários países europeus. Na Polónia e outros países do leste existe legislação contra o comunismo e contra os símbolos do comunismo (algo que estes tentaram forçar a fazer parte do tratado europeu). Fará sentido o medo do passado?

Em Portugal, no ensino da história saltamos tudo o que seja relacionado com o tempo do Estado Novo, sem nunca o tratarmos a fundo, pois temos medo dos fantasmas do passado. Tanto que na nossa constituição proibimos a formação de partidos com tendências nacionalistas ou a referência a doutrinas de teor fascista. Mas estou-me a afastar do tópico. Voltemos à França...

Porque é que os franceses não escreveram legislação proibindo a negação do massacre argelino? Porque não legislação contra o imperialismo Napoleónico apelidado por muitos como um anti-cristo? Porque não uma declaração de desculpas conjunta com uma legislação a proibir o louvor ao rei sol, Luis XIV, responsável pela destruição de quase todas as cidades à beira Reno nomeadamente Worms, Speyer e Heidelberg (e a sua magnífica biblioteca)? Porque é que o mundo ocidental tende a olhar com superioridade para os outros povos e não analisa primeiro os seus fracassos e os seus crimes?

Falamos da limpeza étnica na Jugoslávia (algo que os franceses também deviam legislar...) mas esquecemo-nos que os mesmos franceses fizeram o mesmo (ou parecido) com a Alsácia e a Lorena. Quando estes territórios ficaram sobre ocupação francesa no século XIX a lingua alemã foi proibida e todos foram forçados a aprender o francês não sendo permitido ficar sequer com a sua língua local (um dialecto alemão). Tal mudança fez com que em 50 anos a população deixasse de identificar com o povo que de facto fazia parte (a tribo Alemanes) mas com o resto da França. Não admira pois os resultados do referendo nestas àreas após a II Guerra Mundial.

Estas leis são claramente xenofóbicas e no caso da francesa anti-turca. É crime maior o que é feito agora com a estigmatização política dos povos e das pessoas que nada têm a ver com o que se passou há 100 ou 1000 anos. Não se pode voltar atrás só ir em frente. Avancemos pelo menos em tolerância e em verdade.

Casa

Estamos de volta à Alemanha. Vendo bem estamos de volta já há três semanas mas o tempo não deu para parar. Com a escola e os projectos recomeça a rotina...

domingo, agosto 27, 2006

Olá Mundo

Depois de uma eternidade sem escrever nada quero anunciar ao mundo que já estamos em Portugal!! Vamos estar por cá até 22 de Setemebro. Até um dia destes.

domingo, julho 30, 2006

Viagem a Portugal

Pois é, o Verão está aí em força e a nossa grande viagem a Portugal aproxima-se. Já acabámos os dois as aulas mas a Mandy tem ainda um projecto para encetar e alguns compromissos pelo que está planeado chegármos a Portugal no dia da Assunção de Nossa Senhora (para os desconhecedores das celebrações religiosas de cariz nacional, o cego feriado do 15 de Agosto). Vamos estar cerca de um mès mas as coisas no meio de Serembro vão-se apertar. Por isso, para todos os resi(st)[d]entes em Portugal, se quiserem pôr a vista em cima a este quase alemão o meu telemóvel é o mesmo. Se quiserem fazer uma surpresa e não dizer nada, vou estar pelo menos uma semana no SITAVA em V.N. de Milfontes (para certos senhores a estudar na TAP até fica a calhar). Espero ver-vos em breve.

Eu devia ter vergonha...

por já não escrever há anos! Mas a verdade é que tenho estado entretido. Não só tenho andado motivado a ver umas coisas de matemática como os meus estudos de um infindável número de linguagens (html, php, javascript) deram já frutos. É o meu maior prazer anunciar o novo sitio da Mandy agora com versão trilingue: alemão, português e inglês. Podem consultar alguns dos trabalhos antigos bem como os mais recentes. Falta pôr ainda muita coisa. Infelizmente o computador é lento e scannar leva tempo. Mas talvez antes de irmos para Portugal...

sábado, julho 08, 2006

Besançon et Limoges

Que semana(s)! Um dos motivos principais pelo qual não tenho escrito nada é que...bem...não tenho parado em casa. Estive em duas conferências / congressos separados por um dia. O primeiro em Besançon, ao qual fui de carro, e o outro em Limoges, onde fui de comboio (11h) via Paris. Cansativo mas produtivo, não só a viagem como o congresso em si. Meia centena dos mais prestigiados matemáticos na menos conhecida Teoria de Iwasawa é algo que nos enche, sobretudo o tomar consciência de que aqueles ser humanos, potencialmente normais, são os mesmo que preenchem os cabeçalhos dos sem número de artigos que tenho vindo a estudar. Contactos e mais contactos. O mundo na mão e a oportunidade de viajar pelos cinco continentes. Viva a Matemática!

segunda-feira, junho 26, 2006

E Portugal lá ganhou...

O stress, o desespero... e pior, ouvir o jogo na rádio alemã! Foi muito interessante sobretudo porque de vez enquando dava para ouvir o relato em português. Não, não estou a brincar. O locutor por umas quantas vezes fez comentários ao seu colega português "Isto assim é díficil trabalhar pois o meu colega está aos berros" ou "Nestes últimos minutos o meu colega português não consegue estar sentado e está de pé a fazer o comentário do jogo". E claro eu deste lado ouvi um goooooooooooooolo quando o locutor da minha rádio apenas gritou, emutivamente, "Tor!". Mas gánhamos! Com rádio ou sem rádio, com berros ou sem eles ganhámos. E eu fiz a festa com uma alemã que é já mais portuguesa que muitas portuguesas!

Céus, que silêncio...

Não digo nada há semanas. Pronto disse algo!